Papo de Bar

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Regras de bar

Marcelo Sant'Iago

05/09/2018 13h30

Shot! Shot! Shot!

Assim como tudo na vida, um bar de coquetelaria tem suas regras. Algumas são bem claras, outras você só aprende frequentando os balcões.

Muitos bares têm suas regras no menu ou mesmo afixadas na parede, como era o caso do Milk&Honey, lendário bar de Nova York que deu início à revolução da coquetelaria artesanal, em 2000. Sasha Petraske, seu fundador, era um aficionado pela década de 20 e deixava isso bem claro nas regras do seu bar. Elas eram inspiradas nos speakeasies, os bares clandestinos que pipocaram pelos EUA durante o período da Lei Seca (1920-1933).

Algumas regras são óbvias: educação é sempre a melhor forma de ser bem atendido, conheça seus limites pois nada mais inconveniente do que alguém bêbado e, claro, se beber, não dirija.

Mas há aquelas que não são faladas, que se aprende com tempo de balcão, que eu acho importante compartilhar, para que você tenha momentos mais agradáveis na próxima visita a seu bar preferido.

  1. Chorinho não existe

Os drinks são feitos usando dosadores ("jiggers") justamente para garantir o equilíbrio perfeito entre os ingredientes do seu coquetel. Mesmo quando um coquetel é preparado sem o medidor, usando uma garrafa com biqueira ("free pouring"), o bartender está fazendo uma contagem mental para servir a quantidade exata de líquido.

  1. Saideira não se pede, se ganha

Entendeu?

  1. Shot não se pede, se ganha

O shot é uma forma do bartender mostrar que apreciou sua visita. Entre profissionais do balcão, o Fernet é a bebida preferida para um shot e até um livro sobre isso foi escrito, chama-se The Bartender's Handshake: the cult of Fernet Branca, por Michael Turbak e lançado em 2017

  1. Escolha um drink para comparar os bares que visita

Essa é uma forma de você criar um parâmetro bem claro para diferenciar um bar (ou bartender) de outro e criar seu próprio ranking. Minha sugestão é adotar um clássico, de preferência com 3 ingredientes, como Daiquiri, Manhattan, Martinez, Dry Martini (defina qual sua proporção favorita), Old Fashioned. Ou, porque não, uma bela Caipirinha. Como diz a icônica bartender Audrey Saunders, "Um coquetel de 3 ingredientes não mente". Não tem como disfarçar acrescentando outros ingredientes para mascarar um sabor aqui, um excesso ali. Além do que, um bom bartender deve ser muito bem treinado nos clássicos.

  1. Quando for a um bar novo, comece sempre por um coquetel autoral

Os bares de coquetelaria têm cada vez mais adotado temas bastante elaborados para criar sua carta de drinks. E isso demora, exige estudos e muitos testes. Peça um coquetel autoral. Essa é a melhor forma de reconhecer o trabalho das pessoas responsáveis pela criação e desenvolvimento da carta. Eu quero chorar (em alguns casos de rir mesmo) quando vejo gente indo aos melhores bares do mundo para tomar um Negroni. Nada contra, mas antes, vá de autoral.

  1. Não seja mala

Ok, você é um ávido leitor do Difford's Guide e aprendeu que há controvérsias sobre a origem do Bloody Mary. Mas, naquela hora em que o bar está lotado e todo mundo "nadando" atrás do balcão, não é o melhor momento para puxar papo sobre isso. Tenho certeza que, em um dia menos movimentado, quem estiver te atendendo terá prazer em se alongar no papo.

Mas, o fato do bar estar cheio não significa que você não mereça atenção, muito pelo contrário: o trabalho de quem está atrás do balcão não é apenas preparar drinks, mas sim cuidar para que cada pessoa sinta-se bem-vinda, passe momentos agradáveis e viva uma experiência memorável. Quem trabalha em bar está na indústria da Hospitalidade. Mas não abuse, não seja mala.

Saúde!

Foto: Apothek Cocktails & Co., São Paulo

 

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Marcelo Sant'Iago é publicitário e editor no Brasil do Difford's Guide, maior site de receitas de coquetel do mundo. Fã das Aventuras de Tintim, passa boa parte do ano visitando os melhores bares e eventos no exterior, em busca de novidades e tendências que possam ser compartilhadas para trazer aprimoramento ao mercado brasileiro de coquetelaria. Recentemente foi homenageado com um drinque no Sub Astor, o Sant'Iago Fashioned. Ele é colaborador de revistas, consultor e o único brasileiro a fazer parte do Drink Tank, primeira rede global de inteligência voltada para a indústria de bebidas.

Sobre o blog

Pense no balcão do seu bar favorito, aonde você toma bons drinques, conhece pessoas interessantes, conta casos, aprende sobre coquetelaria com bartenders e descobre novos bares para o próximo gole. Saúde!

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